Quem é Jesus?
“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Esta declaração foi a resposta de Simão BarJonas, um dos discípulos de Jesus conhecido como Pedro, respondendo a seguinte pergunta do mestre: “quem dizeis que eu sou?”
Quando era aluno no Seminário
Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, um distinto professor
contou para a nossa turma que em sua igreja, numa classe de escola bíblica
dominical em que ele lecionava, uma senhora interrompeu a sua aula e disse que
não tinha o menor interesse em se aprofundar em questões teológicas
doutrinárias, pois o importante para ela era ter Deus no coração. O professor
sabiamente perguntou aquela senhora, que “deus”?
É possível que algumas pessoas estranhem à pergunta do professor,
isto se dá pelo fato de que no Brasil a nossa cultura é fortemente influenciada
por conceitos cristãos. Quando se pensa em Deus, a maioria das pessoas no
Brasil pensa no conceito do Deus judaico-cristão. Sendo assim, o conceito de
Deus que a maioria tem, é fruto de reflexões teológicas de terceiros que foram
transmitidos a nossa sociedade por meio da religião, da cultura, da família.
Quando uma pessoa diz que o importante é ter “Deus” no coração, certamente ela carrega conceitos prévios e básicos sobre quem é esse Deus, ainda que ela não se ocupe com leituras e reflexões teológicas. No mínimo ela saberá te responder se ela acredita num único Deus ou em vários deuses; se ele é uma pessoa ou uma força, uma ideia do bem, uma consciência cósmica; se ele nos ouve e se compadece das nossas dores, ou se ele é indiferente e não intervém na nossa história, na sua criação; se ele julgará os nossos atos e motivações num mundo além túmulo, ou não. Qualquer pensamento que se tem acerca de Deus, por mais simples que seja já é um pensamento teológico, ele possivelmente influenciará o modo como o indivíduo se relacionará com ele (Deus ou deuses) e com a vida.
Quando pensamos na pessoa de Jesus a questão fica mais complexa. Faça você mesmo um teste e pergunte alguns colegas quem é Jesus para eles. É bem provável que você ouça diversas interpretações conflitantes.
Ao
longo da história até os dias atuais encontramos diversas visões sobre a pessoa
de Cristo, os judeus não acreditam que ele foi o messias; os mulçumanos
acreditam que ele foi um grande profeta, mas não o filho de Deus; para os kardecistas
ele foi um grande médium, um espírito altamente evoluído; para as Testemunhas
de Jeová ele é “um deus”, o Arcanjo Miguel, o primeiro ser criado por Jeová,
mas não é o Todo Poderoso; para os budistas um grande Mestre. Cada religião, ou
cada pessoa tem a sua visão sobre a pessoa de Jesus.[1]
O
verso 14 de Mateus 16 encontramos algumas repostas sobre quem Jesus é na visão
dos seus contemporâneos: “uns dizem: João Batista; outros Elias; e
outros Jeremias ou alguns dos profetas.” Pois bem, Jesus jamais poderia
ser João Batista, pois eles tiveram uma convivência. João era seu primo, e um
pouco mais velho que ele (Mt 3; Lc 1.36). Jesus também não poderia ser Elias,
pois o mesmo em 2 Reis 2.9-14 foi arrebatado fisicamente[2].
Jesus não poderia ser apenas um profeta, pois o verso 16 nos informa: “Tu és o
Cristo, o filho do Deus vivo”. Nenhum
profeta recebeu o título de “Messias” e “Filho de Deus” no sentido mais stricto
da palavra.
Uma das grandes características do nosso tempo
pós-moderno é o relativismo. Tal coisa torna a verdade algo plenamente
subjetivo e a gosto do freguês. A verdade é objetiva[3]
e não algo que se fundamente num empirismo subjetivista. Uma neve é branca não
porque eu acho, ou penso que seja, mas porque ela de fato é. Não é o que eu penso sobre um determinado
objeto que o tornará verdadeiro ou falso, mas é o que o objeto é em si que
julgará se o meu pensamento, a minha observação é verdadeira ou falsa. Jesus
não é o que pensamos sobre dele, mas é o que Ele afirma ser acerca de si mesmo,
e o que as evidências revelam sobre a sua pessoa. As opiniões sobre Jesus são
diversas e conflitantes. A lógica da contradição nos ensina que uma coisa não
pode ser o que não é e não ser o que é, ao mesmo tempo, e na mesma relação[4].
Os espíritas negam a divindade de Cristo, mas afirmam ser ele um espírito
altamente evoluído, mas o próprio Cristo afirmou ser o Filho de Deus, e agia
como Deus “[...] mas também dizia que
Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” Jo. 5.18. Se Jesus não é
Deus, ele foi um louco ou um mentiroso, mas não um espírito evoluído conforme a
visão espírita, ou apenas um mestre ou um profeta como muitos pensam.
Estou
preocupado evitar que se diga a coisa mais tola que muita gente diz por aí, a
respeito de Cristo: “Estou pronto para aceitar que Jesus foi um grande mestre
da moral, mas não aceito a sua prerrogativa de ser Deus”. Eis aí precisamente o
que não podemos dizer. Um homem que fosse só homem, e disse as coisas que Jesus
disse, não seria uma grande mestre de moral: seria ou um lunático, em pé de
igualdade com quem diz ser um ovo cozido, ou então seria um Demônio. Cada um de
nós tem que optar por uma das alternativas possíveis. Ou este homem era, e é, Filho
de Deus [...].[5]
Jesus
disse: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de
Água viva” (Jo 7.38). É importante compreender que é necessário crer em Jesus
como a Escritura ensina e não como as tradições dos homens, as religiões ou as
filosofias desse mundo. Jesus se refere a Escritura como sendo aquela que
proporciona um conhecimento verdadeiro sobre a sua natureza e missão.
Autor: Rev. Nilson Santos
Extraído do livro: NARCISO, R.;BREVES, G.;SANTOS, N. Solus Christus: Cristologia para hoje. São Paulo: Fonte Editorial, 2018.
[1]
“Pediram-me para dizer em que os cristãos creem, mas vou começar com uma coisa
na qual não precisam crer. Se você é um cristão, você não precisa crer que tudo
nas demais religiões é simplesmente errado [..]. Contudo, o cristão tem de
admitir que, nos pontos em que o cristianismo diverge de outras religiões, ele
é verdadeiro, e as outras religiões são falsas. É como em aritmética: há
somente uma resposta certa para uma soma, e as outras estão erradas; mas
algumas das respostas erradas estão muito mais próxima da certa do que outras.
LEWS, C.S. Cristianismo puro e simples. São Paulo: ABU, 1997, p.29
[2]
Muitos Espíritas sugerem que João Batista é a reencarnação de Elias, mas a
doutrina da reencarnação ensina que um espírito passa por diversas
reencarnações, em diferentes corpos, objetivando uma evolução do espírito.
Acontece que Elias não morreu segundo relato bíblico, ele não desencarnou para
poder encarnar novamente. Alguns textos são usados em defesa dessa doutrina, Ml
4.5; Mt 11.14; Mt 17.12. É preciso considerar que o próprio João afirmou que
não era Elias (Jo 1.21). João Batista exerceu um ministério profético
semelhante ao de Elias, ele representava Elias no sentido profético e não
reencarnado.
[4]
SPROUL, R.C. Eleitos de Deus. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2016. p. 30.
[5]
LEWS, C.S. Cristianismo puro e simples. São Paulo: ABU, 1997, p.29

Comentários
Postar um comentário