O que é Escatologia?





 

Escatologia é uma parte da Teologia que se preocupa com o fim. Escathos (gr.) = último; logia = estudo. Escatologia, portanto significa “estudo das últimas coisas”. Existem dois tipos de Escatologia: a individual e a geral (cosmo). A primeira tem a ver com o fim pessoal, do tipo: O que vai acontecer comigo depois que eu morrer? A segunda está relacionada ao fim do mundo. Tema bastante presente nos filmes de Hollywood.

Qual é o sentido de estudarmos o fim? A grande necessidade que temos de estudarmos Escatologia tem a ver com a preocupação do homem com aquilo que os teólogos chamam de “Teodicéia”. Ou seja, como conciliar  a bondade de Deus  e a sua soberania, com a realidade da morte, do sofrimento,  de todo o mal que está presente no mundo?

A escatologia cristã reconhece que Deus é o Senhor da história do universo, que tudo está sob o seu controle absoluto; que a história inteira está governada por Ele; que Cristo é o centro de tudo;  que Ele é o cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo, e que nele temos a certeza da Salvação plena que há de se manifestar na vida do seu povo que foi comprado com o seu sangue.  

Escatologia individual

Sobre a “Escatologia individual”, qual é o estado da Alma depois da Morte? Diversas respostas têm sido apresentadas ao longo dos séculos, vejamos as mais conhecidas:

Reencarnação: Alguns seguimentos religiosos acreditam que a alma é preexistente ao corpo, e que depois da morte ela é desencarnada e tem novas experiências em outros corpos objetivando a evolução.

Sono da alma: Afirma que depois da morte, a alma entra numa espécie de sono profundo, aguardando a ressurreição dos corpos. Alguns defensores dessa doutrina negam o inferno como sendo algo eterno. Eles geralmente acreditam no chamado aniquilacionismo, ou seja, os ímpios serão destruídos.

Os principais textos usados pelos defensores do sono da alma são: Sl 6:5; Ec9:10; Is 38:18-19; ICo 15:51; ITs 4:13.

Purgatório: A igreja romana acredita que a alma continua a existir depois da morte. O purgatório seria um lugar intermediário, entre o céu e o inferno. É o lugar para onde vão as almas daqueles que não se acham perfeitamente purificados, que ainda levam sobre si a culpa de pecados veniais e não sofreram o castigo temporal devido aos seus pecados. Segundo a igreja romana, esta é a condição da maioria dos fiéis quando morrem – têm que se submeter a um processo de purificação, antes de poder entrar nas supremas alegrias e bem-aventurança do céu. Em vez de entrarem imediatamente no céu, entram no purgatório. Os textos bíblicos mais usados em apoio à tradição são: 2Macabeus 12: 42-45 (Livro apócrifo), Mt 12:38; ICo 3:13-15;

 A Bíblia afirma que depois da morte o corpo volta ao pó, mas a alma não morre e nem dorme. A alma do justo é recebida nos céus, e a alma dos ímpios é lançada no inferno conforme a história do Rico e do Lázaro ( Lc 16: 19-31).  Existem vários textos que falam que a alma permanece viva e consciente ( Ap 6:9; 20:4; 7:13-17; IICo 5:1-8; Fl 1:23, Hb 12:23, Jo 5: 28-29; Mt 17:3 ). 

Em ITs 4:14, Paulo usa a palavra “dormir” num sentido figurado, é o modo como ele descreve o corpo dos santos. A doutrina do purgatório não tem base nas Escrituras, ela acaba negando a suficiência do “Sangue de Cristo”.  A Reencarnação nega a salvação como um dom de Deus (Ef 2:8-10), além disso, em Hebreus 9:27, o autor fala que ao homem está destinado morrer uma só vez, vindo depois o juízo.

A Escatologia geral ou Cósmica está relacionada ao fim de todas as coisas. É o que popularmente as pessoas denominam de “fim do mundo”. Para o teólogo Louis Berkhof, a “Escatologia chama a atenção para o fato de que a história do mundo e da raça humana finalmente chegará a sua consumação”.

A história do homem na terra não é fruto de um processo evolutivo guiado por uma força cega (como a teoria darwinista), não é obra do acaso. No centro do universo está o trono de Deus (Ap 4:2). Ele é o soberano Senhor. A história não é um processo infindável, ela está se movendo em direção a um fim determinado. A Escritura nos revela a criação de todas as coisas, a queda do homem, a redenção, e a consumação de tudo.Cristo se manifestou na “plenitude dos tempos” (Gl 4:4), no contexto favorável, preparado pelo Pai.  Ele viveu entre os homens, morreu, ressuscitou e subiu aos Céus, donde está governando a terra a destra do Pai (At 1: 1-11). Ele enviou o Espírito Santo para continuar a sua obra por meio da Igreja (At 2). A ascensão de Cristo e a vinda do Espírito Santo marca o que Pedro chamou de “os últimos dias” (At 2:17, ver Joel 2:28). A história da humanidade está em contagem regressiva.

A Bíblia revela que a consumação deste mundo será precedida de forte crise, muitas guerras, fome, peste, perseguições, terremotos, falsos profetas, apostasia, sinais cosmológicos e o anticristo. À medida que o fim se aproxima, tais sinais são intensificados (Mateus 24).

O Dia do Senhor será o dia em que Cristo trará a vida eterna para os seus, mas também juízo e condenação para os pecadores (Mt 24: 29-35; Jo 5:28-29; IIPe 3:10-12, IITs 1:7-10). 

A Ressurreição dos crentes em Cristo

Paulo disse que o pecado entrou no mundo por meio de um só homem ( Rm 5.12), e pelo pecado a morte. Adão foi colocado por Deus no Éden como representante da raça humana. A humanidade era Adão, Adão era a humanidade. Ele era a cabeça do grande corpo que é raça humana.

A escolha errada de Adão implicou na queda de todos os homens, por isto Paulo disse: “por que todos pecaram” (Rm 5:12). Todos nós nos rebelamos contra Deus em Adão, e ratificamos a nossa rebelião com os nossos pecados diários. Somos pecadores desde a nossa concepção (Sl 51:5).

Cristo é apresentado por Paulo como o novo Adão, Ele é a cabeça da “Nova Criação”, é a cabeça da raça humana recriada pela “água e pelo Espírito” (Jo 3:5). Pelo Espírito Santo somos enxertados no corpo de Cristo que é a nova humanidade, é a igreja viva do Senhor.

Paulo disse ser Cristo  “as primícias dos que dormem” (1Co 15:20). A ressurreição do corpo é a grande esperança escatológica que acontecerá por ocasião da vinda de Cristo. A garantia de que seremos ressuscitados está na ressurreição de Jesus que aconteceu no tempo e no espaço, ou seja, foi um evento histórico. Jesus como a cabeça do novo corpo já se levantou, por essa razão  aguardamos o levantar de todo o corpo que é a Igreja.

Cristo desceu ao nosso mundo como filho único de Deus, mas por ocasião da sua ressurreição e ascensão, ele  subiu ao pai como  primogênito de muitos irmãos. Fazemos parte da nova criação, “aquele que está em Cristo é nova criatura” (2Co 5:17).  Ele é o primogênito de muitos irmãos (Rm 8:29). Somos a grande família de Deus recriado a imagem de Cristo para experimentarmos a sua glória, por ocasião da sua vinda.A

A grande Tribulação e o Milênio

        A grande Tribulação é um período em que haverá uma forte perseguição do anticristo sobre aqueles que temem a Deus e guardam os seus mandamentos (Ap 12:12). Jesus em seu sermão profético falou sobre esse terrível período da história (Mt 24:1-14). Ele profetizou o juízo de Deus sobre Israel (Mt 24:15-20) por ter rejeitado o Messias ( Mt 23), mas a queda de Jerusalém e a dispersão do povo de Israel é um prenuncio de um Juízo global que virá sobre a humanidade impenitente (Ap 6: 12-17).

      Quem passa pela grande tribulação? Esse é um dos temas que gera mais debates na Escatologia. Os teólogos se dividem entre os chamados pré-tribulacionistas, meso-tribulacionistas e pós-tribulacionistas.

    O pré-tribulacionismo acredita que a grande tribulação é para o povo de Israel e para os ímpios. Para esta correte, a igreja será arrebatada antes de começar a grande tribulação, seguindo uma interpretação de que ainda falta acontecer a última semana de Daniel (Dn 9: 24-27).Cristo voltará nas nuvens para buscar o seu povo e logo em seguida na terra haverá um período de sete anos de grande tribulação. Depois de sete anos de  tribulação Cristo voltará visivelmente  para inaugurar  um reino de mil anos na terra, depois segue-se o Estado Eterno. O reino milenar é caracterizado por um período de paz, justiça e longevidade (Ap 20).

         O meso-tribulacionismo (ou mid) acredita que a Igreja será arrebatada na metade de sete anos, seguindo a interpretação de que a última semana de Daniel ainda não aconteceu, mas irá ocorre nos anos finais da história (Dn9:27). Segundo esta perspectiva, a segunda metade da última semana de Daniel será derramada a ira divina sobre a terra, sendo assim, para eles a igreja não sofrerá a ira divina, mas apenas a perseguição do anticristo, pois os crentes não são destinados à ira do Senhor (ITs 5:9).

       O pós-tribulacionismo defende que a igreja estará presente na terra durante todo o período da grande tribulação, esse momento não será necessariamente um período de sete anos. Segundo os relatos bíblicos, Cristo virá no último dia de modo visível no final da grande tribulação, trazendo alívio para os crentes e destruição para os ímpios. Durante a grande tribulação o anticristo terá fortes poderes, e fará muitos mártires para a igreja. A ira divina será derramada na terra, mas de modo sobrenatural Deus protegerá o crente da sua ira, como assim o fez no Egito com as pragas. Deus tem os seus que são selados para não sofrem danos da sua ira. Assim como no Egito Faraó oprimiu, matou e perseguiu, assim será na grande tribulação com a Igreja. Este será um período em que os verdadeiros crentes serão revelados com a sua fidelidade ao Senhor.

       O milênio escatológico (Apocalipse 20)

    Os judeus aguardavam um reino messiânico aqui na terra, ainda hoje esperam. Segundo a esperança escatológica de Israel, o messias assumiria o poder político e inauguraria um período de paz e prosperidade. Cristo veio como o messias de Israel, mas foi rejeitado porque o seu Reino não era terreno, e sim espiritual (Jo18:36), o seu trono não foi  em Jerusalém, mas  está sendo edificado  nos corações  (Lc 17:21).

   Muitos teólogos  cristãos acreditam que Cristo voltará de forma visível para inaugurar um governo de mil anos na terra (Ap 20), esses são denominados de pré-milenistas. Para eles, as promessas que foram feitas a Israel no Antigo Testamento terá o seu cumprimento neste período, assim como o governo messiânico na terra no trono de Davi (Lc1:32; Is 24:23; 65:17-25).

    Outros teólogos acreditam que o milênio será inaugurado pela igreja, não serão mil anos literais, mas um período em que o evangelho cobrirá toda a terra e depois Cristo voltará, esses são denominados de pós-milenistas. Nesta perspectiva, o Reino de Deus é como um grão de mostarda que cresce (Mt 13: 31-32), ou um fermento que proporciona o crescimento de uma massa (Mt 13:33). A igreja levará através do evangelho o Reino de Deus (Mt 24:14), e só depois virá o fim, será como as águas cobrem o mar, a terra se encherá do conhecimento da glória de Yahweh (Hc 2.14).

    Um terceiro grupo acredita que o milênio não é literal e sim espiritual, e começou com a primeira vinda de Cristo e se estende até o período da grande tribulação. Esse terceiro grupo é denominado de amilenista.

    Segundo o amilenismo Jesus disse que o Reino é chegado (Lc 10:9), o Reino não é comida e nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm14:17). Em  Apocalipse 20: 2 João disse que Satanás foi preso para não mais enganar as nações. Isto aconteceu com a primeira vinda de Cristo, Jesus disse: “Ou como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo?”( Mt 12:29); Ele também disse: “Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago”  (Lc 10:18); Em Jo 12:31-32 Jesus disse: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo”.  Em Colossenses 2:15  Paulo disse: “E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”. Em 1Jo 3:8, “... Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo”.  Nesta visão, os crentes já estão em  Cristo, já ressuscitaram e estão assentados nas regiões celestiais (Ef 2:6), todos aqueles que morrem no Senhor estão reinando com Ele. Satanás está com o seu poder retido, ele não pode impedir o  Evangelho de avançar e alcançar a todos os eleitos que estão espalhados no mundo, mas ele não está impedido de atuar, como um cão raivoso preso, ele tem poder de atuação. Mas este poder é restrito, pois as portas do inferno não prevalecem contra a Igreja do Senhor, portanto, ide pregai o Evangelho, pois toda autoridade foi dada ao nosso Cristo.

    Apesar das diferentes visões acerca da "grande tribulação" e do "milênio", todas elas têm pontos em comum. Todas acreditam que Cristo voltará, e que os mortos ressuscitarão, que os ímpios serão condenados e que os crentes entrarão no Estado Eterno.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                Rev. Nilson Santos


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